Sou um cavaleiro velho, marcado
E já mordido pelas serpentes peçonhentas da vida.
Tenho sorte e vantagem em minha luta
Pois soldados fiéis acompanham minha lida.
Não sejam cruéis, nefastos guerreiros.
Não me abandonem nunca.
E em meu leito de descanso eterno
Sorriam de minhas quedas infantis.
Pelos séculos e séculos
Amém.
sexta-feira, 4 de maio de 2007
Combinação
Pequena menina do mar
Por que tanta crueldade?
Me permita vacilar.
Eu quero fraquejar.
Não. Não me pegue pela mão,
Não me faça entrar nessa ciranda.
Já estou vencido, cansado.
É só um breve sono eterno.
Vamos combinar assim:
Vá na venda do velho Ibrahim
E me traga celofane azul, o mais azul
E também as continhas brilhantes que ele tem.
Vamos combinar assim:
Fazemos um céu lindo e estrelado no nosso teto,
Deito no teu colo pueril em aconchego
E ficamos em eterno contento
Por que tanta crueldade?
Me permita vacilar.
Eu quero fraquejar.
Não. Não me pegue pela mão,
Não me faça entrar nessa ciranda.
Já estou vencido, cansado.
É só um breve sono eterno.
Vamos combinar assim:
Vá na venda do velho Ibrahim
E me traga celofane azul, o mais azul
E também as continhas brilhantes que ele tem.
Vamos combinar assim:
Fazemos um céu lindo e estrelado no nosso teto,
Deito no teu colo pueril em aconchego
E ficamos em eterno contento
Afago na alma
Em um dia de sol perene
Minha fiel montaria estava arisca,
Se sentiu em alforria
E me fez sentar no chão.
Levantei e bati a poeira.
Notei mais três marcas profundas.
Voltei lentamente até meu castanho,
E com um leve carinho pedi desculpas.
Ele se fez espantado.
E com o mesmo carinho cobri as marcas
Para não constranger a montaria
E retomamos nosso caminho.
Pelos séculos e séculos
Amém.
Minha fiel montaria estava arisca,
Se sentiu em alforria
E me fez sentar no chão.
Levantei e bati a poeira.
Notei mais três marcas profundas.
Voltei lentamente até meu castanho,
E com um leve carinho pedi desculpas.
Ele se fez espantado.
E com o mesmo carinho cobri as marcas
Para não constranger a montaria
E retomamos nosso caminho.
Pelos séculos e séculos
Amém.
quinta-feira, 3 de maio de 2007
Quanto tempo?
O Rei Sol não arreda pé.
Teima em não arriar
E diz que só dará lugar
A uma vil Lua amiga.
Faltam 33 tempos.
Todos os ponteiros dos céus já marcam.
Não espere por mim, Rei Sol, ele diz.
Só darei lugar a um vil Luar amigo.
Não espere pelo Sol.
Faltam 33 tempos.
Procure no tempo
Esse egoísta e implacável,
Senhor das dores e amores.
Ele vai sanar angustias e sentimentos.
Teima em não arriar
E diz que só dará lugar
A uma vil Lua amiga.
Faltam 33 tempos.
Todos os ponteiros dos céus já marcam.
Não espere por mim, Rei Sol, ele diz.
Só darei lugar a um vil Luar amigo.
Não espere pelo Sol.
Faltam 33 tempos.
Procure no tempo
Esse egoísta e implacável,
Senhor das dores e amores.
Ele vai sanar angustias e sentimentos.
quarta-feira, 2 de maio de 2007
BIS
Troco uma fronha por um coração.
Troco uma toalha molhada por um passeio de mão dadas.
Troco um lençol por um corpo quente.
Troco um par de meias novinhas por um pé coladinho no meu.
Troco um chuveiro por uma mão leve fazendo cafuné em meus cabelos.
Troco sentinelas por um cavaleiro amigo meu.
Troco um saco de pão dormido sobre a meso por uma noite de baralho.
Troco um sorvete por um segredo de sangue.
Troco uma camisa do meu time favorito por um abraço.
Troco um radinho de pilha por uma música de cazuza no pé do ouvido.
Troco um prato de feijão por um olhar cativo.
Troco um cobertor por um beijo teu.
Troco uma toalha molhada por um passeio de mão dadas.
Troco um lençol por um corpo quente.
Troco um par de meias novinhas por um pé coladinho no meu.
Troco um chuveiro por uma mão leve fazendo cafuné em meus cabelos.
Troco sentinelas por um cavaleiro amigo meu.
Troco um saco de pão dormido sobre a meso por uma noite de baralho.
Troco um sorvete por um segredo de sangue.
Troco uma camisa do meu time favorito por um abraço.
Troco um radinho de pilha por uma música de cazuza no pé do ouvido.
Troco um prato de feijão por um olhar cativo.
Troco um cobertor por um beijo teu.
terça-feira, 1 de maio de 2007
Menininha da quermesse
Quero me casar com essa menina
Que veste saia branca rendada à mão.
Ela anda leve na beira do mar
Puxando as ondas com seus passos.
A espuma das ondas não chega nem perto
O branco da saia dela
E o mar se arrebenta com toda ira
Só de inveja
Quero me casar com essa menina
Que veste saia branca rendada a mão
Ela tem beijo com gosto de bebida gasosa
Que me faz ficar com borboletas no céu da boca.
Que veste saia branca rendada à mão.
Ela anda leve na beira do mar
Puxando as ondas com seus passos.
A espuma das ondas não chega nem perto
O branco da saia dela
E o mar se arrebenta com toda ira
Só de inveja
Quero me casar com essa menina
Que veste saia branca rendada a mão
Ela tem beijo com gosto de bebida gasosa
Que me faz ficar com borboletas no céu da boca.
Regresso a duas mãos
Iemanjá, Rainha dos mares, já anunciou:
A senhora já volta.
Os mares cantam em glória
Pelo fim da amarga saudade.
As ondas, tuas amigas, lambem areias seculares
Que tercem teu ser.
Cavalos marinhos trazem o esplendor,
E socó enrosca belas tranças em teus cabelos.
Nem o tempo, cruel carrasco
Pode desmanchar teus castelos de areis
Rainha minha.
Teu servo eterno.
A senhora já volta.
Os mares cantam em glória
Pelo fim da amarga saudade.
As ondas, tuas amigas, lambem areias seculares
Que tercem teu ser.
Cavalos marinhos trazem o esplendor,
E socó enrosca belas tranças em teus cabelos.
Nem o tempo, cruel carrasco
Pode desmanchar teus castelos de areis
Rainha minha.
Teu servo eterno.
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