Era uma noite de pano escarlate estrelado
Com mais de mil anjos no céu
E quinhentos diabos na terra,
Tudo como o Monarca tinha arquitetado.
Eu dormia meu sono cavalariço,
Cansado de batalhas e galopes,
Perto da boca das águas que vêm,
Em baixo de um secular pé de coração-de-negro.
Foi quando fui acordado por um grito de pavor.
Me levantei num pulo pronto para sangrar,
Sangue meu ou de quem quer que fosse.
De punhal nos dentes procurei quem deveria lutar em seu favor.
Fiquei horas a procurar,
Em qualquer lugar que fosse,
Ajudar um desesperado desenfeliz
De um descontento do destino se libertar.
Foi quando resolvi olhar para a lua cheia.
E no meio do pretume da noite pintada de vaga-lumes,
Vi na bola prateada uma situação assombrada.
O danado do dragão atacava São Jorge que quase morria.
Arretado com o atrevimento do bicho medonho
Montei no castanho e pedi bença a minha Santa Conceição.
Que ela não sentisse ciúme e me desse proteção
Pois, partia em socorro de um irmão de armas e de sonho.
Dei um cheiro na minha estrela e roubei do poeta a trova:
Não choram conforta mulher
Eu volto se assim Deus quiser.
E galopei em disparada rumo à batalha anunciada.
Era mordida e queimadura – noite que virava dia.
Ferroada e rachadura – dia que virava noite.
Nessa brincadeira forma trezentas luas de peleja e sofrimento
Até o dragão se entregar a nosso contento.
Hoje olho para lua e vejo os desenhos da batalha nela marcados.
Lembro com detalhes cada golpe e queda,
Cada queda e golpe.
E com detalhes trago as marcas da batalha nas costas desenhado.
Inté hoje, muitos sois depois,
Venho andando por essas campinas
Afim de espalhar essa estória
Na qual ajudei São Jorge a derrotar o dragão.
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
Louvado seja o Mamolengo Celeste da Revoada do Oriente.
Louvado seja o Mamolengo Celeste da revoada do oriente
Que veio escapulido de um imaginário,
Com riso fácil, com olhos dóceis
Conduzido caprichosamente pelos dedos de Deus ou do Diabo.
Cada fio era feito de um sorriso,
Cada retalho de uma alegria,
Cada prega ou costura de suspiros
E cada pintura feita de uma marca carnal.
Acompanhado de quatro cavaleiros,
Cavalgando o galope da beira-mar
Sem destino de partida ou de chegada,
Sem vontade de vir ou de ir.
E, com o movimento de sua majestade, o Mamolengo,
A moscaria da mesa posta vai se afastando,
Os bascuios do desmantelo se desmantelando
E uma luz prateada entrando pelo combogo do pó que vira água, que vira pó.
Louvado seja o Mamolengo Celeste da Revoada do Oriente.
Que veio escapulido de um imaginário,
Com riso fácil, com olhos dóceis
Conduzido caprichosamente pelos dedos de Deus ou do Diabo.
Cada fio era feito de um sorriso,
Cada retalho de uma alegria,
Cada prega ou costura de suspiros
E cada pintura feita de uma marca carnal.
Acompanhado de quatro cavaleiros,
Cavalgando o galope da beira-mar
Sem destino de partida ou de chegada,
Sem vontade de vir ou de ir.
E, com o movimento de sua majestade, o Mamolengo,
A moscaria da mesa posta vai se afastando,
Os bascuios do desmantelo se desmantelando
E uma luz prateada entrando pelo combogo do pó que vira água, que vira pó.
Louvado seja o Mamolengo Celeste da Revoada do Oriente.
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
O encontro com Albo Servonegro de Taperoá, vivido e criado nos apipucos de um arabesco.
Eu vinha montado em meu castanho,
Filho legítimo da sétima geração
Do lendário Pedra Lispe do sertão,
Caçando aves na ilusão da catingueira.
Já se fechava sete tempos da caçada,
Com meu carcará Pirauá no ombro, pronto pra dar o bote,
O bacamarte nas costas preparado pra alumiar minhas rimas e vontades
E a velha Buzaicam numa corrente riscando as unhas no chão destampando trovoadas.
Foi quando, durante minha missão rubra,
Debaixo do Monstro Solar Implacável,
Uma assombração, vinda das Casas Forte, se mostrou.
Montado na onça Caetana e de espada na mão.
Eu que não sou homem de frouxura nem covardia
Perguntei se era caso de maldição. Que ele fosse breve!
Ou algo melhor e dadivoso de grande valia.
Se fosse botija que as coordenadas me desse.
Nem perversidade, nem benfeitoria.
Falou o mal-assombro com voz rouca e profunda.
Sou Albo Servonegro de Taperoá, criado e vivido nos apipucos de um arabesco,
Contador de estórias por oficio e onde me falta memória, sobra imaginação para as mentiras preencher.
E destampou o verbo
Falando do que é certo e reto, errado e torto.
De coisas dos mundos dos morrentes
E das amarelisses e safadezas do viventes.
Me contou que viu um Rei destronado,
Filho de uma sucessão de Reis desmiolados,
Que era ruim de tapa e de pontaria e não valia um quilo na montaria.
Mas era conversadorzinho que era medonho.
Me contou que viu dois sujeitos de patifaria,
Um mentiroso que dava dó e o outro enrolão que doía.
Enterraram cachorra em Latim e venderam gato que dinheiro descomia.
Não escapou ninguém, nem do volante, nem do cangaço. Eram até capaz de fazer o tinhoso se confessar na sacristia.
Depois me falou de casório mal-acabado,
De fornicação de mulher casada com valentão e com homem frouxo também,
De caçadas no meio do mato com estratégias mirabolantes
E até de uma porca de herança com pouca validade.
Quando me dei conta já se voava o tempo.
Os relógios do céu já caiam no sereno
E os santos se ajoelhavam em glória e adoração
Para fazer a prece mais valiosa do Sertão.
Foi assim que larguei minha espingarda e meu gibão
Para empunhar uma espada enferrujada e armadura de segunda mão.
Preparo minhas mentiras com carinho e apreço.
Reconheço que me apodero do direito que o contador de estórias tem de mentir.
Pelos séculos e séculos.
Amém!
Filho legítimo da sétima geração
Do lendário Pedra Lispe do sertão,
Caçando aves na ilusão da catingueira.
Já se fechava sete tempos da caçada,
Com meu carcará Pirauá no ombro, pronto pra dar o bote,
O bacamarte nas costas preparado pra alumiar minhas rimas e vontades
E a velha Buzaicam numa corrente riscando as unhas no chão destampando trovoadas.
Foi quando, durante minha missão rubra,
Debaixo do Monstro Solar Implacável,
Uma assombração, vinda das Casas Forte, se mostrou.
Montado na onça Caetana e de espada na mão.
Eu que não sou homem de frouxura nem covardia
Perguntei se era caso de maldição. Que ele fosse breve!
Ou algo melhor e dadivoso de grande valia.
Se fosse botija que as coordenadas me desse.
Nem perversidade, nem benfeitoria.
Falou o mal-assombro com voz rouca e profunda.
Sou Albo Servonegro de Taperoá, criado e vivido nos apipucos de um arabesco,
Contador de estórias por oficio e onde me falta memória, sobra imaginação para as mentiras preencher.
E destampou o verbo
Falando do que é certo e reto, errado e torto.
De coisas dos mundos dos morrentes
E das amarelisses e safadezas do viventes.
Me contou que viu um Rei destronado,
Filho de uma sucessão de Reis desmiolados,
Que era ruim de tapa e de pontaria e não valia um quilo na montaria.
Mas era conversadorzinho que era medonho.
Me contou que viu dois sujeitos de patifaria,
Um mentiroso que dava dó e o outro enrolão que doía.
Enterraram cachorra em Latim e venderam gato que dinheiro descomia.
Não escapou ninguém, nem do volante, nem do cangaço. Eram até capaz de fazer o tinhoso se confessar na sacristia.
Depois me falou de casório mal-acabado,
De fornicação de mulher casada com valentão e com homem frouxo também,
De caçadas no meio do mato com estratégias mirabolantes
E até de uma porca de herança com pouca validade.
Quando me dei conta já se voava o tempo.
Os relógios do céu já caiam no sereno
E os santos se ajoelhavam em glória e adoração
Para fazer a prece mais valiosa do Sertão.
Foi assim que larguei minha espingarda e meu gibão
Para empunhar uma espada enferrujada e armadura de segunda mão.
Preparo minhas mentiras com carinho e apreço.
Reconheço que me apodero do direito que o contador de estórias tem de mentir.
Pelos séculos e séculos.
Amém!
Era uma vez uma menina
Era uma vez uma menina
Que, onde ia, levava sua gaiola
Desenhada por um escriba natural de terra pecadora
E que profetizava os aboios dos vaqueiros errantes.
Era uma vez uma menina
Que na sua gaiola tinha um papa-capim,
Cantador, desses que estala e faz viração
E trazia nas mãos as estórias dessa moça com valor de confissão.
Era uma vez uma menina
Que levava uma gaiola desenhada por um escriba medonho,
Onde tinha um papa-capim amigo que guardava segredos
E que acreditava que tudo além das taliscas poderia ser verdade.
Que, onde ia, levava sua gaiola
Desenhada por um escriba natural de terra pecadora
E que profetizava os aboios dos vaqueiros errantes.
Era uma vez uma menina
Que na sua gaiola tinha um papa-capim,
Cantador, desses que estala e faz viração
E trazia nas mãos as estórias dessa moça com valor de confissão.
Era uma vez uma menina
Que levava uma gaiola desenhada por um escriba medonho,
Onde tinha um papa-capim amigo que guardava segredos
E que acreditava que tudo além das taliscas poderia ser verdade.
quarta-feira, 18 de julho de 2007
O galope desenfreiado de que lhe faltava juizo ou sobra criatividade
Lá vem Josefina Rameira desembestada na carreira.
Na cabeça tem uma tiara feita de jurema,
No peito tem leite fresco de aveloz
E entre as pernas tem o passado de mais de mil homens.
Lá vem Josefina Rameira desembestada na carreira.
Na mão um xique-xique pra fazer de açoite,
Na boca uma rapadura pra fazer doce
E nos pés o cordão das alegrias fazer a gente rir.
Lá vem Josefina Rameira desembestada na carreira.
Já plantou um pé de catingueira no meio de uma nuvem,
Já criou a onça Buzaican numa coleira curta
E já falou línguas que faz tempo que não se fala mais.
Lá vem Josefina Rameira desembestada na carreira.
Vem montada na burrinha Calú com quem já viu meio mundo,
Vem mastigando pensamentos pra lembrar de onde vem
E vem suspirando amores colossais largados além mar.
Lá se vai Josefina Rameira desembestada na carreira.
Na cabeça tem uma tiara feita de jurema,
No peito tem leite fresco de aveloz
E entre as pernas tem o passado de mais de mil homens.
Lá vem Josefina Rameira desembestada na carreira.
Na mão um xique-xique pra fazer de açoite,
Na boca uma rapadura pra fazer doce
E nos pés o cordão das alegrias fazer a gente rir.
Lá vem Josefina Rameira desembestada na carreira.
Já plantou um pé de catingueira no meio de uma nuvem,
Já criou a onça Buzaican numa coleira curta
E já falou línguas que faz tempo que não se fala mais.
Lá vem Josefina Rameira desembestada na carreira.
Vem montada na burrinha Calú com quem já viu meio mundo,
Vem mastigando pensamentos pra lembrar de onde vem
E vem suspirando amores colossais largados além mar.
Lá se vai Josefina Rameira desembestada na carreira.
quinta-feira, 12 de julho de 2007
Amarela Rainha
Lá vinha ela pisando o firmamento.
Montada numa jandaia verdinha,
Mas parecia um malasombro dos casarões dos engenhos de Palmares.
Vestida com três fitas trançadas.
Era minha rainha amarela pra meu contentamento e graça
Que vinha lá de onde se vinha.
Uma mulher com cara de menina e com gosto de festa de Santo
Onde eu brincava minhas brincadeiras de menino.
Minha amarela Rainha de coroa magistral que fez do menino um homem,
Me faz sentir saudade do tempo que já não foi,
Mas vem com a força de tua essência
E assume teu reinado de direito e de carne.
Pelos séculos e séculos.
Amém!
Montada numa jandaia verdinha,
Mas parecia um malasombro dos casarões dos engenhos de Palmares.
Vestida com três fitas trançadas.
Era minha rainha amarela pra meu contentamento e graça
Que vinha lá de onde se vinha.
Uma mulher com cara de menina e com gosto de festa de Santo
Onde eu brincava minhas brincadeiras de menino.
Minha amarela Rainha de coroa magistral que fez do menino um homem,
Me faz sentir saudade do tempo que já não foi,
Mas vem com a força de tua essência
E assume teu reinado de direito e de carne.
Pelos séculos e séculos.
Amém!
quarta-feira, 11 de julho de 2007
69 da Catarinata
Era uma cruzada secular,
Embarcado numa nau imponente
Com velas brancas de reino decente,
Um Capitão velho resolveu os quatro céus navegar.
Setenta homens embarcados.
Setenta guerreiros sangrentos.
Setenta famílias lascadas.
Setenta desejos crescendo.
Entre os velhacos marinheiros
Estava uma bela dama.
Filha querida e prendada do capitão
Que atendia pela graça de Donana.
Ela era linda como poucas estrelas,
Cheirava ao perfume dos jasmins dos Mouros.
Era tão formosa e graúda
Que já teve homem querendo a ela dar tesouros.
Em noite pouco iluminada
Bateu no camarim do Capitão
Um amarelo Bartô da Encruzilhada
Para a ele caguetar uma situação.
Meu Capitão eu vim aqui te contar
Cosia que vi e não posso esconder.
Vi Donana lá fora a fazer
Coisas que ao senhor possa envergonhar.
Me conte bom fofoqueiro
O que tens pra me dizer,
Pois problemas de minha filha para resolver
É o que mais tenho o tempo inteiro.
Meu capitão, não sei por onde começar,
Mas vou pelo primeiro instante
Em que vi a Donana, Debutante,
Com o safado do timoneiro, Cabaxum de Damião, a namorar.
Valeime minha Santa da Conceição!
Me diga seu amarelo desenfeliz
O que tem pra me falar, seu aborto de concriz.
Se não me contar, arranco seus bigodes e outras partes mais queridas que falta vão fazer para proliferação.
Não se afobe descuidado Capitão
Vi Donana pelada dos peitos,
Vi donana pelada dos quartos,
Engembrada no Cabaxum e manejando dele o timão.
Eu não queria, mas opção o senhor não me deu.
Safadeza desse porte
Nem no namoro do Diabo com a Diaba.
Vi Donana fazendo pose igual a do cavalo do velho fariseu.
Menina desajuizada.
Com quem foi que isso ela aprendeu?
Tanto que cuidei de sua virtude
Pra dessa forma ter a honra manchada.
Calma Capitão que isso não é tudo.
Donana é danada
E desse assunto sabe muito.
Teve uma hora que deu uma bocada no rapaz que quase faz Del um eunuco.
Me traga esse sem-vergonha do mangue.
O nome da minha filha não vai ficar manchado.
Ou ele casa com Donana e salva seu pescoço,
Ou vou esse barco lavar com muito sangue.
E meio abilolado pelos pifões que levou
Chegou Cabaxum de Damião
No camarote do enraivado Capitão,
Pai da menina que desonrou.
Você agora vai casar seu filho de chocadeira.
Buliu na minha pobre Donana,
Se lambusou onde não devia.
Agora você casa. Queira ou não queira!
Mas capitão, espero que o senhor me entenda.
Donana não é santa e não fui eu o primeiro,
Pois de seus subordinados, que são 69 marinheiros,
Não tem sequer um que não tenha passeado na sua herdeira.
Até mesmo esse amarelo falador.
Em dia de lua cheia e céu estrelado
Se atracou com Donana bem ai no camarote do lado
E só saiu quando já sentia ardor.
Menina desavergonhada. Agora nem sei o que fazer.
Dela só estragaram o corpo.
Já acabaram com minha moral.
O que me resta e nessa embarcação uma lei estabelecer.
A partir de hoje decreto oficialmente
Que minha filha tem um harém e 69 marinheiros.
Satisfaçam ela todos os dias, seus gostos e regalias.
Sendo assim, dessas linhas mal traçadas, assino rente.
Embarcado numa nau imponente
Com velas brancas de reino decente,
Um Capitão velho resolveu os quatro céus navegar.
Setenta homens embarcados.
Setenta guerreiros sangrentos.
Setenta famílias lascadas.
Setenta desejos crescendo.
Entre os velhacos marinheiros
Estava uma bela dama.
Filha querida e prendada do capitão
Que atendia pela graça de Donana.
Ela era linda como poucas estrelas,
Cheirava ao perfume dos jasmins dos Mouros.
Era tão formosa e graúda
Que já teve homem querendo a ela dar tesouros.
Em noite pouco iluminada
Bateu no camarim do Capitão
Um amarelo Bartô da Encruzilhada
Para a ele caguetar uma situação.
Meu Capitão eu vim aqui te contar
Cosia que vi e não posso esconder.
Vi Donana lá fora a fazer
Coisas que ao senhor possa envergonhar.
Me conte bom fofoqueiro
O que tens pra me dizer,
Pois problemas de minha filha para resolver
É o que mais tenho o tempo inteiro.
Meu capitão, não sei por onde começar,
Mas vou pelo primeiro instante
Em que vi a Donana, Debutante,
Com o safado do timoneiro, Cabaxum de Damião, a namorar.
Valeime minha Santa da Conceição!
Me diga seu amarelo desenfeliz
O que tem pra me falar, seu aborto de concriz.
Se não me contar, arranco seus bigodes e outras partes mais queridas que falta vão fazer para proliferação.
Não se afobe descuidado Capitão
Vi Donana pelada dos peitos,
Vi donana pelada dos quartos,
Engembrada no Cabaxum e manejando dele o timão.
Eu não queria, mas opção o senhor não me deu.
Safadeza desse porte
Nem no namoro do Diabo com a Diaba.
Vi Donana fazendo pose igual a do cavalo do velho fariseu.
Menina desajuizada.
Com quem foi que isso ela aprendeu?
Tanto que cuidei de sua virtude
Pra dessa forma ter a honra manchada.
Calma Capitão que isso não é tudo.
Donana é danada
E desse assunto sabe muito.
Teve uma hora que deu uma bocada no rapaz que quase faz Del um eunuco.
Me traga esse sem-vergonha do mangue.
O nome da minha filha não vai ficar manchado.
Ou ele casa com Donana e salva seu pescoço,
Ou vou esse barco lavar com muito sangue.
E meio abilolado pelos pifões que levou
Chegou Cabaxum de Damião
No camarote do enraivado Capitão,
Pai da menina que desonrou.
Você agora vai casar seu filho de chocadeira.
Buliu na minha pobre Donana,
Se lambusou onde não devia.
Agora você casa. Queira ou não queira!
Mas capitão, espero que o senhor me entenda.
Donana não é santa e não fui eu o primeiro,
Pois de seus subordinados, que são 69 marinheiros,
Não tem sequer um que não tenha passeado na sua herdeira.
Até mesmo esse amarelo falador.
Em dia de lua cheia e céu estrelado
Se atracou com Donana bem ai no camarote do lado
E só saiu quando já sentia ardor.
Menina desavergonhada. Agora nem sei o que fazer.
Dela só estragaram o corpo.
Já acabaram com minha moral.
O que me resta e nessa embarcação uma lei estabelecer.
A partir de hoje decreto oficialmente
Que minha filha tem um harém e 69 marinheiros.
Satisfaçam ela todos os dias, seus gostos e regalias.
Sendo assim, dessas linhas mal traçadas, assino rente.
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