Futebol Clube Olaria Apresenta:
A grande peleja de Deus contra o Diabo.
Chegando na cidade já dava pra ir vendo
Uma correria sem tamanho que já tava acontecendo.
Nem a falta de um pensamento no pensamento
Poderia pensar numa coisa tão medonha daquelas.
Arrepare no acontecimento:
Lá pras bandas de Zé do Gás, três ingazeira depois da casa de Maria Qua-qua,
Bem onde Bico de Lacre bebe leite de aveloz,
Tem uma várzea malacabada,onde se derrama sangue e cusparada
E se trava batalha feroz.
Mais era um ruge-ruge da gota.
Voava tapa e cabeçada, ponta-pé e cocorote.
E no meio daquilo tudo tava o Diabo de um lado, bufando pelas ventas,
E Cristo do outro, vestindo um chorte Voador.
E no bolo tava Zé Pilintra de apito nos dente,
Tentando acalmar toda aquela gente.
De um tamborete de bar gritava o carpinteiro José: “Juiz farizeu, velhaco, sem-vergonho”.
Tomé já nem acreditava no que via.
Cristo empurrando o capeta dizia: “Passe pra cá cabra fedorento, eu sou o dono da bola”.
E o Diabo tinhoso respondia: “Num me empurre não vu!? sou feito casca-vér, quando eu pego, se não mato, aleijo”.
Mais na frente era Pedro que se desentendia
Catucando o fiofó de um malassombro que dizia:
“Eita porterinho desenfeliz, vou te dar uma paimada de mão, que tu vai girar três dias e cair de aner no chão”.
Beu Zebu tava engaiado com Lucas no tabefe.
O lobisomem enfiava a mão no ouvido de Tadeu,
Que depois do golpe pra mais nada o juízo dele deu.
A perna cabeluda que não é besta nem nada,
Foi saindo de fininho pela beira das açoitadas.
“Olha faca e canivete pra depois da partida, é o Real” gritava um moleque ali pelas rudia.
Eu só sei que o jogo acabou na maior gritaria,
E assim foi mais uma partida do Futebol Clube Olaria.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
quarta-feira, 26 de março de 2008
Donzelice
Eu queria falar umas coisinhas aqui pra a nova família.
Eu queria falar sobre donzelice.
Procurei num dicionário, e sempre que eu faço isso me decepciono, “Donzelice
1 Estado de donzela 2 no popular Ato mimoso, próprio de moça”.
Outro até piora:
Referente à mulher virgem, pura.
Bom eu vou falar o que eu acho de Donzelice.
Pra mim tudo tem início em 1981, quando duas aspirantes a psicóticas resolvem ter filhos. Ai começa a donzelice. O primeiro nasce no mês das noivas e o outro no mês dos ventos. Todos dois no dia 16. Tem coisa mais donzela que essas coisinha de datinhas tudo iguaizinhas?
Como se não bastasse a donzelice do acaso, as duas ainda criaram os dois donzelinhos como duas menininhas. Era roupinha engomadinha, cabelinho penteadinho, blusinha por dentro da zorbinha e os dois vestidos iguaizinhos. Era uma donzelice.
Carnaval, me perdoe padre, um inferno. Fantasia que pinicava, sapato que apertava, elástico do chapéu fazendo marca no gogó. Os dois fantasiados iguais.
Enfim...
O tempo passou e esses dois donzelos cresceram juntos. Tomaram a primeira cerveja juntos, estudaram juntos pras minhas provas de recuperação, passaram juntos no vestibular, se formaram juntos na universidade...
Mas umas das coisas que eles fizeram juntos, e que passa desapercebido pela maioria das pessoas, por pura donzelice, foi a viagem que esses dois donzelos fizeram para o Estados Unidos em 96.
Essa viagem mudaria drasticamente a vida de um deles.
Era uma dessas exscursões bem donzelas que se faz quando tem 15 anos e que todo debutante donzelo que fazer.
Era um monte de donzelos juntos. Uns vestidos de vermelho, a gente, outros de amarelo, de azul, de laranja, verde. E nesse tumulto policromático teve uma donzela que chamou a atenção desse donzelo.
Veja como a vida é donzela, eles moravam na mesma cidade, freqüentavam os mesmo cantos, mas só foram se esbarrar nos Estados Unidos.
Nunca achei que ele fosse tão persistente. Foi ré internacional, foi ré no western. Western era uma boatezinha bem donzela que todo menino, naquela época, queria ir quando a gente era pequeno.
E de tanta donzelice dele, ela acabou cedendo.
E deu...
Deu certo!
Tem gente que não acredita em amor à primeira vista, mas eu vi de perto isso acontecer.
E vi no dia que ele pediu pra casar com ela em Maria Farinha. Agora to vendo ela casar com ele aqui, na frente de todo mundo.
E não tem nada mais donzelo que vocês aqui, perdendo temo, ouvindo minhas donzelices.
Meus queridos donzelos, eu desejo a vocês TODAS as donzelices mais lindas desse e de qualquer outro mundo.
Eu queria falar sobre donzelice.
Procurei num dicionário, e sempre que eu faço isso me decepciono, “Donzelice
1 Estado de donzela 2 no popular Ato mimoso, próprio de moça”.
Outro até piora:
Referente à mulher virgem, pura.
Bom eu vou falar o que eu acho de Donzelice.
Pra mim tudo tem início em 1981, quando duas aspirantes a psicóticas resolvem ter filhos. Ai começa a donzelice. O primeiro nasce no mês das noivas e o outro no mês dos ventos. Todos dois no dia 16. Tem coisa mais donzela que essas coisinha de datinhas tudo iguaizinhas?
Como se não bastasse a donzelice do acaso, as duas ainda criaram os dois donzelinhos como duas menininhas. Era roupinha engomadinha, cabelinho penteadinho, blusinha por dentro da zorbinha e os dois vestidos iguaizinhos. Era uma donzelice.
Carnaval, me perdoe padre, um inferno. Fantasia que pinicava, sapato que apertava, elástico do chapéu fazendo marca no gogó. Os dois fantasiados iguais.
Enfim...
O tempo passou e esses dois donzelos cresceram juntos. Tomaram a primeira cerveja juntos, estudaram juntos pras minhas provas de recuperação, passaram juntos no vestibular, se formaram juntos na universidade...
Mas umas das coisas que eles fizeram juntos, e que passa desapercebido pela maioria das pessoas, por pura donzelice, foi a viagem que esses dois donzelos fizeram para o Estados Unidos em 96.
Essa viagem mudaria drasticamente a vida de um deles.
Era uma dessas exscursões bem donzelas que se faz quando tem 15 anos e que todo debutante donzelo que fazer.
Era um monte de donzelos juntos. Uns vestidos de vermelho, a gente, outros de amarelo, de azul, de laranja, verde. E nesse tumulto policromático teve uma donzela que chamou a atenção desse donzelo.
Veja como a vida é donzela, eles moravam na mesma cidade, freqüentavam os mesmo cantos, mas só foram se esbarrar nos Estados Unidos.
Nunca achei que ele fosse tão persistente. Foi ré internacional, foi ré no western. Western era uma boatezinha bem donzela que todo menino, naquela época, queria ir quando a gente era pequeno.
E de tanta donzelice dele, ela acabou cedendo.
E deu...
Deu certo!
Tem gente que não acredita em amor à primeira vista, mas eu vi de perto isso acontecer.
E vi no dia que ele pediu pra casar com ela em Maria Farinha. Agora to vendo ela casar com ele aqui, na frente de todo mundo.
E não tem nada mais donzelo que vocês aqui, perdendo temo, ouvindo minhas donzelices.
Meus queridos donzelos, eu desejo a vocês TODAS as donzelices mais lindas desse e de qualquer outro mundo.
quarta-feira, 12 de março de 2008
O grande espetáculo da rudia das cores do amanhecer
Um dia eu vi uma rudia colorida,
Grande que nunca tinha visto,
O povo tava chamando de mambembe.
Tinha uma fila que nem me lembro o tamanho,
Era gente de todo canto
Da roça, do largo, da vila, do vale
Tinha gente que nem se sabia por onde contar.
Meninada que dava na canela.
Uma correria, um bate-bate, um rige-ruge
Menino num bota o dedo ai, buliçoso.
Mas mãe, o dele é maior que o meu.
E tu visse mirtinha se banhando no açude?
E eu lá tenho essa sortitude!?
Menina não bula com essa cachorra.
Mas rapais, ó prai, ele nem pra olhar pra mim.
Olha a maçã! Vermelhinha, docinha!
Menino senvergonho, vá pedir dinheiro pra seu pai.
Ô Avilino, vamo sentar na frente pra ver as perna da moça do mágico?
E se ele morder?
O sorvete é baratinho, tem pro senhor e pro seu vizinho.
E a fila foi se correndo feito serpente,
Entrando na rudia, toda aquela gente
Foi encontrando seu lugar nas tauba que rangia quando o povo sentava.
E de repente se escuta um papoco.
Foi Zé Culé, que tinha tomado uns pifão,
Drumiu escorado no candeeiro,
Que tocou fogo no palheiro,
Que pegou no tar do Mambembe.
Foi uma correria danada,
Era home pegado nos pés da santa,
Mulher agarrada no braço do esposo,
Zé do gás se divertia feito pinto no lixo,
Se mijava de rir com tudo aquilo.
A mulher barbada ficou sem bigode no meio do fogaréu,
O macaco queimou o rabo e corria feito um aluado,
O mágico tentava salvar os coelhos de seu chapéu,
O homem grande mas parecia uma madame de tanto que chorava,
A bailarina saiu desembalada na carreira com a saia presa no pescoço,
Um chinela veia torada num pé de um trupicão, a outra ninguém dava fé,
Os peitinho tava de fora fazia tempo,
E o bom palhaço corria pra acudir o anão
Que se embolava no chão pro mode seu cabelo chamuscado.
O elefanta, com a venta, jogava água na cabeleira do leão.
A meninada sentada na grama se ria do acontecido,
Batia palma de cada pipoco quee escapolia,
Cada escorrego era uma gargalhada.
Eita, lá vai o rei da galhofa com a peruca queimada. Gritou Toinho
E foi assim que se deu o grande espetáculo da rudia das cores do amanhecer.
Grande que nunca tinha visto,
O povo tava chamando de mambembe.
Tinha uma fila que nem me lembro o tamanho,
Era gente de todo canto
Da roça, do largo, da vila, do vale
Tinha gente que nem se sabia por onde contar.
Meninada que dava na canela.
Uma correria, um bate-bate, um rige-ruge
Menino num bota o dedo ai, buliçoso.
Mas mãe, o dele é maior que o meu.
E tu visse mirtinha se banhando no açude?
E eu lá tenho essa sortitude!?
Menina não bula com essa cachorra.
Mas rapais, ó prai, ele nem pra olhar pra mim.
Olha a maçã! Vermelhinha, docinha!
Menino senvergonho, vá pedir dinheiro pra seu pai.
Ô Avilino, vamo sentar na frente pra ver as perna da moça do mágico?
E se ele morder?
O sorvete é baratinho, tem pro senhor e pro seu vizinho.
E a fila foi se correndo feito serpente,
Entrando na rudia, toda aquela gente
Foi encontrando seu lugar nas tauba que rangia quando o povo sentava.
E de repente se escuta um papoco.
Foi Zé Culé, que tinha tomado uns pifão,
Drumiu escorado no candeeiro,
Que tocou fogo no palheiro,
Que pegou no tar do Mambembe.
Foi uma correria danada,
Era home pegado nos pés da santa,
Mulher agarrada no braço do esposo,
Zé do gás se divertia feito pinto no lixo,
Se mijava de rir com tudo aquilo.
A mulher barbada ficou sem bigode no meio do fogaréu,
O macaco queimou o rabo e corria feito um aluado,
O mágico tentava salvar os coelhos de seu chapéu,
O homem grande mas parecia uma madame de tanto que chorava,
A bailarina saiu desembalada na carreira com a saia presa no pescoço,
Um chinela veia torada num pé de um trupicão, a outra ninguém dava fé,
Os peitinho tava de fora fazia tempo,
E o bom palhaço corria pra acudir o anão
Que se embolava no chão pro mode seu cabelo chamuscado.
O elefanta, com a venta, jogava água na cabeleira do leão.
A meninada sentada na grama se ria do acontecido,
Batia palma de cada pipoco quee escapolia,
Cada escorrego era uma gargalhada.
Eita, lá vai o rei da galhofa com a peruca queimada. Gritou Toinho
E foi assim que se deu o grande espetáculo da rudia das cores do amanhecer.
segunda-feira, 10 de março de 2008
Oração do Velho Galego
Meu Nosso Senhor
Atenda minha pobre oração
Que aprende faz tempo.
Tanto tempo que nem mesmo o tempo
Sabe quanto tempo faz.
Me adefenda de todas as bostisses desse e de outro mundo.
Me livre de um baque de uma besta braba
Ou de uma rede velha,
De uma mulher de bigode com um irmão matador,
De um buraco no caminho de minha carroça,
De escorregão no meio da feira,
De uma cachorra me mostrando os dentes pra me dar uma dentada,
Ou de uma dor de dente,
De uma topada na unha incaicada,
De um furúnculo no sovaco,
De uma mordida de macaco,
De picada de cobra peçonhenta,
De ferroada de maribondo,
De um malassombro das casas fortes me tormentando,
De um sol de rachar,
De lata d’água furada quando for na cacimba,
De tarrafa sem peixe
Ou de uma espinha de peixe no gogó,
De bufete no pé-do-ouvido ,
De um bêbado no meu é caído,
De um menino maluvio,
De uma acocorada num pé do urtiga,
De uma pisada num buraco de formiga,
De uma cigarra num dia de ressaca,
De uma coice de uma besta parida,
De um visinho falador,
De um filho chorando de dor,
De uma dor no pé do buxo,
De uma sarnacão no verão
Ou saroumorreu no inverno
Meu Nosso Senhor escutai minha prece
E me livra desse inferno.
Atenda minha pobre oração
Que aprende faz tempo.
Tanto tempo que nem mesmo o tempo
Sabe quanto tempo faz.
Me adefenda de todas as bostisses desse e de outro mundo.
Me livre de um baque de uma besta braba
Ou de uma rede velha,
De uma mulher de bigode com um irmão matador,
De um buraco no caminho de minha carroça,
De escorregão no meio da feira,
De uma cachorra me mostrando os dentes pra me dar uma dentada,
Ou de uma dor de dente,
De uma topada na unha incaicada,
De um furúnculo no sovaco,
De uma mordida de macaco,
De picada de cobra peçonhenta,
De ferroada de maribondo,
De um malassombro das casas fortes me tormentando,
De um sol de rachar,
De lata d’água furada quando for na cacimba,
De tarrafa sem peixe
Ou de uma espinha de peixe no gogó,
De bufete no pé-do-ouvido ,
De um bêbado no meu é caído,
De um menino maluvio,
De uma acocorada num pé do urtiga,
De uma pisada num buraco de formiga,
De uma cigarra num dia de ressaca,
De uma coice de uma besta parida,
De um visinho falador,
De um filho chorando de dor,
De uma dor no pé do buxo,
De uma sarnacão no verão
Ou saroumorreu no inverno
Meu Nosso Senhor escutai minha prece
E me livra desse inferno.
sexta-feira, 7 de março de 2008
O desencontro do desencontro numa bostisse matutal
Num desses dias de arrilia,
Em que o sol já nem tem tanta graça,
Se tu se mostra na minha frente
Eu me embolava contigo
Num trupicão de ladeira.
Juntava a minha com a tua besteira
Prumode a gente se engargalhecer.
Terminava encatarrado se chorando
Num apromo de cusparada
Dispois de uma grande bicada.
Em que o sol já nem tem tanta graça,
Se tu se mostra na minha frente
Eu me embolava contigo
Num trupicão de ladeira.
Juntava a minha com a tua besteira
Prumode a gente se engargalhecer.
Terminava encatarrado se chorando
Num apromo de cusparada
Dispois de uma grande bicada.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Travessia celeste de quatro dias e quatro noties
Vinha eu e meu castanho fiel
Cavalgando sob o sol de fevereiro.
No matulão levava um pão que nem o diabo quis amassar
E na jarra uma água guardada, amarga feito fel.
Já fazia bem uns três dias de jornada.
Já fazia bem uns trezentos sonhos sonhados.
Na cabeça a saudade de um amor telúrico
Que martelava o juízo que nem o grito do cancão
Já ia perto de Simbres, nas primeiras léguas de Capibaribe
Quando senti o chão se tremer inteirinho.
Me avoei no chão como quem escapa de bala
E procurei meu punhal mouro para defender o que era meu.
Lá no firmamento vinha uma nuvem de poeira.
Tinha bem uns trinta metros pro céu,
Tinha bem ns trinta metros pros lados.
E era acompanhada de uma zoada de levantar até jumento morto.
Quando aquilo chegou mais perto
O mistério se dismisteriou.
Minha vista se desanuviou
E minha espinhela, na velocidade de um corisco, petrificou.
Era uma revoada de cobras celestes
Que tinham asas nas costas e esmeraldas nos olhos.
Cada escama tinha a marca dos Reinados Agrestinos,
Cada dente tinha marcas dos Reinados Sertanejos.
Tinha pra mais de sete mil serpentes.
Era tanta cobra que minha vista nem alcançava o fim.
E pelo visto ia tudo atravessar o pobre do Capibaribe
Naquele galope desenfreado.
Quando as cobras entraram na água
O rio se dividiu na metade.
Era as cobras passando desavisadas do Capibaribe
E o Capibaribe dividido no meio da quantidade de serpente.
Forma quatro dias e quatro noites de travessia.
Eu e o castanho já estávamos perdendo a paciência
Quando notamos que a revoada já estava acabando.
Perto de umas duas léguas vinha quem aquilo estava pastorando.
Era uma aparição de causar estranheza.
Que não se pode ver no mundo dos viventes,
Que não se pode ver n mundo dos morrentes.
Uma santa profana vinha montada no galope num galho de cajarana.
A comitiva passou sem me notar.
Não levei nem uma mordida, picada ou susto
Graças a Santa do galho de Cajarana
Eu hoje posso esse causo contar.
Pelos séculos e séculos,
Amém!
Cavalgando sob o sol de fevereiro.
No matulão levava um pão que nem o diabo quis amassar
E na jarra uma água guardada, amarga feito fel.
Já fazia bem uns três dias de jornada.
Já fazia bem uns trezentos sonhos sonhados.
Na cabeça a saudade de um amor telúrico
Que martelava o juízo que nem o grito do cancão
Já ia perto de Simbres, nas primeiras léguas de Capibaribe
Quando senti o chão se tremer inteirinho.
Me avoei no chão como quem escapa de bala
E procurei meu punhal mouro para defender o que era meu.
Lá no firmamento vinha uma nuvem de poeira.
Tinha bem uns trinta metros pro céu,
Tinha bem ns trinta metros pros lados.
E era acompanhada de uma zoada de levantar até jumento morto.
Quando aquilo chegou mais perto
O mistério se dismisteriou.
Minha vista se desanuviou
E minha espinhela, na velocidade de um corisco, petrificou.
Era uma revoada de cobras celestes
Que tinham asas nas costas e esmeraldas nos olhos.
Cada escama tinha a marca dos Reinados Agrestinos,
Cada dente tinha marcas dos Reinados Sertanejos.
Tinha pra mais de sete mil serpentes.
Era tanta cobra que minha vista nem alcançava o fim.
E pelo visto ia tudo atravessar o pobre do Capibaribe
Naquele galope desenfreado.
Quando as cobras entraram na água
O rio se dividiu na metade.
Era as cobras passando desavisadas do Capibaribe
E o Capibaribe dividido no meio da quantidade de serpente.
Forma quatro dias e quatro noites de travessia.
Eu e o castanho já estávamos perdendo a paciência
Quando notamos que a revoada já estava acabando.
Perto de umas duas léguas vinha quem aquilo estava pastorando.
Era uma aparição de causar estranheza.
Que não se pode ver no mundo dos viventes,
Que não se pode ver n mundo dos morrentes.
Uma santa profana vinha montada no galope num galho de cajarana.
A comitiva passou sem me notar.
Não levei nem uma mordida, picada ou susto
Graças a Santa do galho de Cajarana
Eu hoje posso esse causo contar.
Pelos séculos e séculos,
Amém!
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Encarrascado
Nas reentranças encarrascadas de um cabelo
Existe um sonho bem sonhado.
Bem querido e guardado,
Com cheiro de chuva de janeiro.
Nas reentranças encarrascadas de um cabelo
Existe um sentimento bem sentido.
Bem gostado e gozado,
Com gosto do canto de um papa-capim.
Nas reentranças encarrascadas de um cabelo
Existe uma saudade bem dolorida.
Bem forte e viva,
Com gosto de beijo antigo.
Existe um sonho bem sonhado.
Bem querido e guardado,
Com cheiro de chuva de janeiro.
Nas reentranças encarrascadas de um cabelo
Existe um sentimento bem sentido.
Bem gostado e gozado,
Com gosto do canto de um papa-capim.
Nas reentranças encarrascadas de um cabelo
Existe uma saudade bem dolorida.
Bem forte e viva,
Com gosto de beijo antigo.
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